sábado, 14 de novembro de 2009

GRIPE SUINA DEVASTA NA RUSSIA

PRAVDA EM PORTUGUES

Artigo

Gripe A H1N1: 4.560 casos na Rússia

09.11.2009Fonte:
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19 mortos de um total de 4.560 casos de Gripe A H1N1 na Federação Russa de acordo com a Ministra de Saúde, Tatiana Golikova em declarações numa conferência de imprensa na segunda-feira.





Falando num hospital numa cidade perto de Moscovo, onde foi para supervisionar o início de uma campanha nacional de vacinação, Golikova disse que o número foi de 3.122 na semana passada.

Rospotrebnadzor, organismo que vigia o setor sanitário e os direitos dos consumidores, disse na sexta-feira que o número de mortos da gripe subiu para 19. A região de Moscovo e regiões da Sibéria, Extremo Oriente e noroeste foram os mais duramente atingidos pelo vírus H1N1.

Vacinação em massa contra a gripe A começou em cinco regiões da Rússia na segunda-feira. A equipe médica, funcionários de energia elétrica e instalações de tratamento de água e outras instalações serão inoculadas em primeiro lugar.

Quatro vacinas contra o vírus foram testados e registados na Rússia. O governo tem direito a 4 bilhões de rublos ($ 140 milhões) para comprar os primeiros 43 milhões de doses de vacinas. Rússia tem planos para 35,5 milhões de doses antes do final do ano.

Golikova advertiu na semana passada contra o pânico sobre o vírus, que causou uma escassez de máscaras de médicos e medicamentos antivirais em clínicas. Balconistas e pedestres usando máscaras de rosto médicos tornaram-se uma vista comum em Moscovo e outras cidades russas. As férias de Outono foram prolongadas em muitas escolas na capital e outras grandes cidades.

A Organização Mundial da Saúde disse no sábado que cerca de 6.100 pessoas morreram da gripe A H1N1 em todo o mundo, com o número total de casos oficialmente confirmados superior a 482.000 em 199 países.

Fonte: RIA Novosti

Olga SELYANINA

ORTEGA É CONTRA BASE DOS EUA NA COLOMBIA

FONTE
pravda em portugues

rtigo

Ortega denuncia perigo de bases militares dos EUA na Colômbia

13.11.2009Fonte:
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O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, denunciou nesta segunda o perigo que representam as bases militares estadunidenses na Colômbia para a soberania desse povo e de toda América Latina.


..

Ao intervir ontem em um ato nesta capital pelo 33 aniversário da queda em combate do comandante Carlos Fonseca Amador, fundador da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), Ortega disse que a presença de bases militares na área é um retrocesso.

Esses enclaves, pontualizou, são símbolo de guerra, como a que têm em Palmerola que a utilizaram para fazer a guerra contra a Nicarágua nos anos 80. Não queremos mais guerra na Nicarágua, não queremos mais guerra na América Latina, o quê o mundo quer é paz, quer trabalho, sublinhou.

O dirigente sandinista chamou os povos da região a lutar para que se desmantelem as políticas intervencionistas contra os países da área e para que aqueles aliados do intervencionismo tenham um pouco de dignidade e que não sejam multiplicadas as bases militares.

O presidente analisou a herança recebida pelo presidente Barack Obama de seu antecessor George W. Bush, entre estas, as guerras no Iraque e Afeganistão.

Agregou que o golpe de estado em Honduras o tinham deixado preparado os de Bush e sustentou que essa maquinaria esta intacta e o presidente Obama muito pouco pode fazer.

Sublinhou que a maquinaria do negócio militar aproveita para buscar como fechar espaços democráticos e soberanos que se estão abrindo no mundo e que neste caso se abriram na América Latina.

Centenas de nicaraguenses desfilaram ontem, domingo, em frente ao mausoléu que guarda os restos de Fonseca Amador, que morreu combatendo nas montanhas de Zinica, Matagalpa, contra a Guarda Nacional Somocista.

Milhares de trabalhadores, crianças, jovens, profissionais foram até o mausoléu para depositar flor em homenagem ao homem que resgatou o pensamento e o ideário do general de homens livres, Augusto C. Sandino.

http://www.patrialatina.com.br/editorias.php?idprog=335cd1b90bfa4ee70b39d08a4ae0cf2d&cod=5038

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

GUERRA CONTRA IRÃ COMEÇA NOS EUA

DA FOLHA ONLINE

12/11/2009 - 20h59

EUA buscam apreender mesquitas e arranha-céu que estariam ligados ao Irã

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da Folha Online

Procuradores federais americanos entraram com uma ação na Justiça nesta quinta-feira para confiscar um arranha-céu na Quinta Avenida, em Nova York e quatro mesquitas de propriedade de uma organização muçulmana sem fins lucrativos suspeita de ser secretamente controlada pelo governo iraniano.

No que pode revelar-se um dos maiores confiscos de contraterrorismo na história dos Estados Unidos, os procuradores registraram uma queixa civil na Justiça Federal buscando o confisco de mais de US$ 500 milhões em ativos da Fundação Alavi e uma suposta empresa de fachada.

Os ativos incluem centros islâmicos em Nova York, Maryland, Califórnia e em Houston, mais de 40 hectares de terras, na Virgínia, e o prédio de escritórios de 36 andares em Nova York.

O promotor geral do distrito sul de Nova York, Preet Bharara, anunciou que pediu o confisco que pertence a instituições acusadas de participar de "atividades de lavagem de dinheiro".

O confisco pode representar um duro golpe contra o Irã, acusado pelo governo de financiar o terrorismo e buscar uma bomba nuclear.

A missão do Irã nas Nações não fez comentários imediatamente após o anúncio da ação.

É extremamente raro que autoridades americanas busquem confiscar locais de culto, devido à proteção da liberdade religiosa prevista na Constituição.

A ação contra a mesquita xiita deve para tornar mais tensas as relações entre o governo americano e muçulmanos no país, muitos dos quais temem uma reação após o massacre da semana passada na base militar de Fort Hood, atribuído a um soldado americano muçulmano.

As mesquitas e o prédio de escritórios permanecerão abertos durante a tramitação do processo, que deve ser longa. O que acontecerá se o governo, em última instância, tiver sucesso não está claro. Mas o governo normalmente vende propriedades que apreende através, e as receitas são por vezes distribuídas às vítimas da criminalidade.

Não houve ações nos imóveis nesta quinta-feira como parte da ação de confisco. O governo simplesmente fez o registro da iniciativa judicial.

Os promotores disseram que a Fundação Alavi, por meio de uma empresa de fachada conhecida como Assa Corp, canalizou ilegalmente milhões de dólares em rendas para o Banco Melli, de propriedade do Estado iraniano.

O banco foi acusado por um funcionário do Tesouro de apoiar o programa nuclear do Irã, e é ilegal nos EUA fazer negócios com o banco.

"Como a denuncia revela detalhadamente, a Alavi Foundation é uma empresa de fachada do governo iraniano", disse o procurador Bharara.

Funcionários do governo há muito tempo suspeitavam que a fundação era um braço do governo iraniano, a denúncia de 97 páginas detalha envolvimento de vários altos funcionários nos negócios da fundação, incluindo um ministro e embaixadores junto às Nações Unidas.

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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ANGOLA, OPOSITORES DA VACINA VÃO PARA A PRISÃO


Aquilo que mais se temia está acontecer na Ucrânia, a utilização da lei marcial no seu belo esplendor, devido à suposta mutação do vírus e à morte de meia dúzia de pessoas. A Ucrânia foi o primeiro passo para a conclusão do plano, que será decretar Lei Marcial em todos os países...



Ucrânia: Opositores da vacina irão para a prisão !



Os opositores da vacina na Ucrânia serão processados pelo governo no âmbito do direito penal, informou a agência de notícias Interfax Ukrainia.

O relatório da agência afirma que o ministro da Saúde, Wasilij Kniazevicz, pediu ao Procurador-Geral para iniciar um processo criminal contra aqueles que se opõem a campanha de vacinação em massa contra a gripe suína. Teme-se que o governo esteja no caminho certo para criar uma onda de detenções.

O Director de Saúde do Governo, Aleksander Bilovol, anunciou que o Estado pretende implementar uma campanha de vacinação em massa visando principalmente as mulheres grávidas.

Além disso, o Ministério da Saúde pretende alargar as zonas de quarentena na Ucrânia, o que pode provocar o isolamento de varias regiões e aprisionar pessoas virtualmente.

Também foi relatado que um dos principais profissionais civis de saúde pública ucraniano foi dissolvido e se alistou no exército, provocando temores de uma vacinação em massa forçada pelos militares.

A OMS e a ONU parecem ter tomado o de cima sobre personalidades-chave do governo, a pretexto de uma luta urgente contra uma pandemia.


Fonte: TheFluCase (Jane Burgermeister)

EDU DALLARTE

sábado, 7 de novembro de 2009

AUTORIDADES PALESTINAS CONTRA A PALESTINA

O atual governo palestino não é a favor da questão palestina, por isso nada fizeram para impedir o ataque de Israel a Gaza, pois o Fatah quer exterminar o Hamas.

A Autoridade Palestiniana contra a libertação da Palestina e contra a solidariedade internacional

por Azmi Bishara [*]

Colonatos. Cartoon de Latuff.A forma como a Autoridade Palestiniana (AP) se comportou em Genebra foi como o último prego no caixão da solidariedade internacional para com a causa palestiniana, no seu sentido mais usual. Aqueles que tomaram esta decisão sabiam-no bem. A solidariedade internacional ficou confundida com as questões instigadas pelos Acordos de Oslo, um tratado firmado com a potência que exercia a ocupação antes mesmo de se avistar uma solução. Será que a luta pela libertação estava em progresso quando a ocupação estava ainda no terreno? Ou o processo de Oslo significou que a questão residia agora na capacidade dos "dois lados" chegarem a um acordo? Embora o movimento de solidariedade tenha feito lembrar um pouco a segunda Intifada, o desacordo dos palestinianos e o comportamento da AP em relação à guerra em Gaza lançou o acordo novamente para o meio da confusão. Mesmo assim, por mais fragmentadas e desordenadas que fossem, as organizações e movimentos militantes ou semi-militantes reuniram toda a energia que puderam para apoiar os palestinianos, mesmo divididos, no seguimento do ataque israelense a Gaza. O Relatório Goldstone foi o resultado deste dinamismo. Mas actualmente, após o dia 2 de Outubro em Genebra, quem vai mostrar solidariedade para com os palestinianos, como e por que razão o fariam?

O partido palestiniano que declarou em Genebra a retirada do seu apoio ao Relatório Goldstone agiu não como se os palestinianos precisassem de todo o apoio que pudessem reunir, mas como se fizesse parte da ordem internacional. Estavam junto com os da Casa Branca; por isso, quem precisa da solidariedade do povo quando é convidado do presidente dos EUA? Por outro lado, esse movimento de solidariedade pode, por vezes, ter efeitos negativos. O movimento apoia o povo de Gaza, por exemplo, enquanto as autoridades palestinianas em questão se encontram do outro lado do bloqueio, agindo no sentido de impedir qualquer esforço que possa ser vantajoso aos seus adversários políticos palestinianos. Estas autoridades disseram adeus ao movimento de libertação há já algum tempo. "Adeus, movimento de libertação", disseram, muito antes de este estar sequer nas previsões. Para quem tem olhos e ouvidos, esta é a dura realidade. Porém, o seu comportamento em Genebra foi um adeus definitivo e inequívoco ao espírito e à lógica da libertação e dos movimentos de solidariedade.

No meio das minudências das manobras políticas e dos rodeios em relação ao processo dos colonatos que dominavam os noticiários, perdeu-se não só o todo, mas também a essência da causa palestiniana. Este é precisamente o problema que os meios de comunicação social, que se pautam pela objectividade, deviam ultrapassar.

A arena internacional da era Obama fervilha em acções políticas mais direccionadas a dar o pontapé de saída no processo de paz do que em chegar a um acordo justo de paz. É provável que venhamos a assistir a uma conferência de paz no prazo de três meses, que trará de volta as "glórias" dos acordos de Camp David II, embora sem Arafat (que se recusou a abrir mão de Jerusalém), mas com Netanyahu. Mas nesse caso, poderemos confiar no segundo para recusar as mesmas propostas que Arafat rejeitou e, porque é um israelense extremamente patriótico, podemos até esperar mais do que isso. Também não devemos esperar que a administração actual em Washington se afaste das regras estabelecidas pelos seus antecessores para o suposto processo de paz. A administração Obama poderá ser o resultado do fracasso das políticas neoconservadoras, até ao ponto de se ver forçada a abandonar a exportação da democracia e reconhecer o fracasso da aventura no Iraque. Contudo, a situação dos estados árabes é tal que estes não podem tirar partido das fraquezas desta administração na área da política externa. Mesmo que fossem capazes, os governos do "eixo moderado" não estão interessados em entrar numa disputa por causa da Palestina, pois andam deliciados com a chegada de uma administração que abandonou a retórica da disseminação da democracia e dos direitos humanos.

Aparentemente, algumas autoridades árabes viram aqui uma oportunidade de "pressionar" Washington no sentido de não insistirem para que Israel pare a expansão dos colonatos e se concentre, pelo contrário, em reabrir as negociações para uma solução duradoura, com o pretexto de que a questão dos colonatos se resolveria, em todo o caso, nesta conjuntura. Mas mesmo no Iraque, onde a política externa dos EUA mais fraqueja, a ordem árabe instituída não conseguiu transformar esta debilidade (que é o produto dos empreendimentos alcançados pela resistência árabe) numa política que assegurasse a prioridade dos seus interesses e causas na agenda negocial entre os EUA, o Irão e a Turquia. Por isso, no que diz respeito à pressão norte-americana sobre Israel, Washington está aprisionada aos velhos hábitos. O cerne da mediação diplomática de George Mitchell, enviado norte-americano ao Médio Oriente, pode resumir-se em três pontos: convencer os árabes a adoptar iniciativas benevolentes na normalização das relações com Israel, assegurar a ajuda árabe no financiamento da AP, que é principalmente apoiada pela Europa; e garantir que os árabes estejam oficial e solidamente contra os que governam em Gaza.

Apesar de todas estas movimentações, a administração Obama espera terminar aquilo que as administrações de Clinton e Bush não conseguiram, na tentativa de convencer Israel e o mundo árabe a transformar o estado palestiniano proposto num "pacote negocial" completo. O "pacote", neste caso, é a fundação de um estado palestiniano em troca da renúncia dos árabes, primeiro, ao direito de regresso dos refugiados palestinianos e, segundo, da abdicação do desejo de que Israel abandone todos os territórios que ocupou desde Junho de 1967, incluindo Jerusalém Oriental. Para os árabes, a conclusão deste acordo significaria não só abandonar a causa palestiniana tal qual a entendemos historicamente, mas também abandonar o ponto de partida das suas iniciativas de paz. Israel, por seu lado, tem abraçado esta causa desde Sharon. Tem concentrado esforços em reduzir o estado proposto à mais pequena faixa de território possível e com o mínimo de direitos de soberania. Para que tal aconteça, Israel está a tirar vantagem da renúncia por parte da AP e da ordem árabe oficial a todos os instrumentos de gestão de conflitos, para além do seu formato de negociações para impor uma paz " de facto " no terreno (onde o nível e condições de vida do povo, incluindo bloqueios nas estradas e coisas do género, são as prioridades), e está a tirar igualmente partido da ideia dos dois estados para forçar os árabes a reconhecer a natureza judaica de Israel, o que implicitamente envolve a renúncia ao direito de regressar, a aceitação retroactiva do sionismo e também do facto de que Israel tem estado histórica e moralmente certo, enquanto os árabes têm estado histórica e moralmente errados.

Entretanto, a nova administração norte-americana começou a exigir uma paragem na expansão dos colonatos israelenses. Os árabes, incluindo os palestinianos, reiteraram a exigência. Aqui seria talvez útil recordar que na história da construção dos colonatos, as épocas em que esta foi mais rápida foram aquelas em que foi anunciado publicamente uma paragem na construção. Qualquer pessoa que conheça Israel e a forma como opera, sabe que a planificação e a construção são uma actividade central deste estado, que foi fundado com base em planos e construções. Israel planeia com um avanço de 20 anos. Qualquer paragem que dispense projectos de construção, para os quais já existiam planos, dá azo a que a construção continue por mais 20 anos.

Seja como for, o actual governo israelense nem sequer teria coragem de parar oficialmente porque este governo, ao contrário do seu antecessor, confia nas forças políticas que afirmam que a mera proclamação de uma paragem, por mais fraudulenta que seja, é um compromisso moral. Israel, na opinião dos extremistas de direita, tem de declarar oficialmente a sua legitimidade em expandir os colonatos, em vez de o fazer de forma dissimulada. Em Israel, o debate não se tem centrado na paragem (uma vez que realmente nunca houve uma), mas sobre se o estado deve ou não proclamá-la. Mas é de lamentar que os meios de comunicação social árabes entrem no jogo e, consequentemente, mantenham os árabes concentrados nas particularidades deste debate, pois isto oculta o facto de que a construção prossegue actualmente a todo o gás, especialmente em Jerusalém, e que o bloqueio a Gaza continua tão apertado quanto antes, sendo apenas uma ligeira variação da guerra de Dezembro/Janeiro.

Regressemos à questão fundamental, cuja implementação colide com as ambições de Israel: e então, o que é feito do direito a regressar? Acima de tudo, convém realçar que esse direito não emana de uma resolução internacional e que o povo palestiniano e árabe não abdicam deste direito, mesmo sem uma resolução que lhes dê aprovação oficial, se bem que, na verdade, essa resolução exista. É impossível recuperar o direito a regressar através de um acordo com Israel. Isso só poderá acontecer pela derrota de Israel no contexto do conflito entre árabes e sionistas. Por isso, se os árabes desistirem do conflito ou da estratégia de luta, então, estarão efectivamente a renunciar ao direito de regressar. Mesmo que a Organização para a Libertação da Palestina existisse enquanto organização militante, e mesmo que a AP fosse uma autoridade que operasse em conformidade com a lógica de libertação, os árabes não conseguiriam recuperar o direito a regressar na mesa de negociações com Israel, pelo simples facto de que Israel considera este direito como uma negação do seu próprio estado. Talvez por isso, muitos árabes se tenham afastado da retórica de recuperar este direito pela vitória sobre Israel e da retórica da recusa em naturalizar os refugiados palestinianos no contexto do processo de negociação. Para além disso, como se viu na prática, a rejeição da naturalização significou, na maioria dos casos, um "não à naturalização neste país, embora se outros países lhes quiserem dar direito de cidadania, é lá com eles".

De facto, esta posição é racista e, tal como o sectarismo e faccionismo, inserir-se na filiação numa única identidade árabe. A rejeição do conceito de naturalização em países que mantêm relações de paz com Israel e cujos acordos não incluem o princípio do direito a regressar, e nos países que contam com um eventual acordo de paz para recuperarem os territórios que Israel ocupou em 1967 e nos anos seguintes, não acarreta o direito de regresso. Será que estes países consideram que o assunto deve ser deixado para o governo de Abbas-Fayyad? Certamente que não, pois na prática a AP renunciou há muito tempo ao direito de regresso e mesmo que não o tivesse feito, não poderia impor esse direito no contexto da sua relação com Israel. Então, todos estes países encaram o direito de regresso como um assunto a ser abordado não entre eles e Israel, mas sim entre os palestinianos residentes nestes países e Israel. O único resultado lógico seria incentivar o racismo contra os refugiados palestinianos nestes países, o que estaria em conformidade com a disseminação de mentalidades sectárias, provincianas e tribais na cultura política das sociedades árabes e dos seus regimes vigentes.

Como é que a criação de um estado palestiniano poderá ser um pacote negocial? Chegados a este ponto, temos de entrar no reino da imaginação árabe e norte-americana, independentemente da posição israelense. Na imaginação de Washington, os ditames do realismo levarão os árabes a aceitar uma troca de território em vez de ser Israel a voltar às suas fronteiras de 1967. Acreditam ainda que "soluções criativas" para os locais sagrados resolverão o problema de Jerusalém sem que Israel tenha de se retirar da zona árabe da cidade. No que diz respeito à questão dos refugiados, esta resolver-se-á automaticamente por si só pela mera existência de um estado, que transformará os refugiados em cidadãos palestinianos residentes no estrangeiro com passaporte palestiniano. Segundo esta imaginação pragmática, embora muitos problemas fiquem pendentes, o estatuto legal dos refugiados resolver-se-á sem necessidade de regresso ou naturalização.

Este é actualmente o desafio. A indignidade que se desvenda em Genebra e Nova Iorque possui servos ávidos para os quais, mais do que nunca, os fins justificam os meios. Estes servos acreditam ser uma parte integrante da ordem internacional. Já não estão do lado de fora, como militantes revolucionários. Nem estão nas margens, como Arafat durante as Intifadas e no período após Oslo. E apesar da sua mera filiação na ordem internacional, eles imaginam que irão ter sucesso na sua busca por um estado. Encontramos aqui a fonte do desprezo por aquilo que os movimentos de libertação geralmente consideram como o centro da sua missão, ou seja, mobilizar o mundo contra os crimes da ocupação estrangeira na esperança de pelo menos refrear a mão do país que exerce a ocupação. Encontramos também um motivo para abandonar a própria ideia de conflito com a nação colonialista. Eles vêem-se a si próprios como pares hipotéticos desse estado, o que lhes dá o direito de usar os mesmos termos e a mesma linguagem pragmática, e de diminuir os apelos de justiça e respeito pelos direitos humanos, como fizeram escandalosamente quando votaram o Relatório Goldstone em Genebra.

Estão financeiramente corrompidos, colaboram em questões de segurança com a potência invasora, estabelecem uma entidade de governo repressivo com uma milícia para arrancar a própria noção de "solidariedade" da mente das pessoas e tomam parte num bloqueio económico cruel contra um grande número de concidadãos palestinianos. Estão, de facto, a agir de acordo com a natureza e espírito de uma ordem internacional que mente sobre crimes de guerra. Não vale sequer a pena tentarmos explicar as nossas razões a pessoas assim porque elas dir-nos-ão que estavam lá, que amadureceram e nós somos ingénuos. Pertencem a uma geração que teve um movimento de libertação, mas infectaram-no com a sua própria decadência antes que o movimento pudesse resultar num estado. Neste aspecto, deram provas de que não têm rivais.

[*] O autor é deputado no parlamento de Israel (Knesset) e secretário-geral do partido Aliança Nacional Democrática, mais conhecido como Balad.

Publicado originalmente no semanário Al-Ahram 968 (15-21/Outubro/2009) e reproduzido em
http://mrzine.monthlyreview.org/bishara211009.html . Tradução de EC.


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

A LIÇÃO NÃO APRENDIDA DE 1929

A lição não aprendida de 1929

por Henry C.K. Liu

Índice Dow Jones, 1927-1933.No dia 29 de Outubro de 2009 deu-se o 80º aniversário do crash de 1929 que levou à Grande Depressão. Será que o mundo aprendeu a lição de 1929?

Milton Friedman, através da análise exaustiva de dados históricos, identificou o papel potencial da política monetária em moldar o curso da inflação e dos ciclos de negócios, com a conclusão contrária aos factos de que a Grande Depressão dos anos 1930 podia ter sido evitada com uma adequada facilidade monetária do Fed a fim de neutralizar (counteract)as forças destrutivas do mercado. A conjectura contrária aos factos de Friedman, apesar de não provável, tem sido aceite pelos banqueiros centrais como magia monetária para livrar o capitalismo dos ciclos de negócios. Ela serviu de base ao Fed de Greenspan: "quando em dúvida, facilite", abordagem que vigorou ao longo de todos os seus 18 anos como governador do banco central e que levou a bolhas em série, cada uma delas maior do que a anterior. A bolha final explodiu em 2007.

A maior parte dos macro-economistas, incluindo o actual governador do Fed, Ben Bernanke, subscreve a visão da dívida-deflação da Grande Depressão pela qual o colateral utilizado para segurar empréstimos (ou, como na situação actual, os activos que apoiam instrumentos derivativos) finalmente diminuirá de valor em relação à dívida excessiva, criando perdas para os tomadores de empréstimos, os prestamistas e os investidores, levando à necessidade de reestruturar termos de empréstimos ou mesmo ao seu cancelamento. Quando isso acontece, os macro-economistas acreditam que a intervenção do governo com o fornecimento de liquidez é tanto necessária como efectiva para impedir que os mercados caiam.

A expressão dívida-deflação foi cunhada por Irving Fisher em 1933 para descrever o modo como dívida e deflação podem desestabilizar-se mutuamente. A desestabilização verifica-se porque a relação decorre em ambas as vias: a deflação causa aflições financeiras quanto à dívida, e a dívida financeiramente aflita por sua vez exacerba a deflação. Este ciclo dívida-deflação é altamente tóxico numa economia infestada por dívida. O único meio de impedir isso é não permitir que flua liquidez para a dívida.

Friedman manteve a falsa esperança de que banqueiros centrais poderiam negar a instabilidade da dívida-deflação com injecções de liquidez em grande escala.

Hyman P. Minsky em The Financial-Instability Hypothesis: Capitalist Processes and the Behavior of the Economy(1982) elaborou o conceito dívida-deflação para incorporar o seu efeito no mercado de activos. Ele reconheceu que a venda em estado de aflição reduz preços de activos, provocando perdas aos agentes com dívidas em maturação. Assim, reforçam-se mais as vendas ao desbarato e reduzem-se os gastos com consumo e investimento, o que aprofunda a deflação. Isto acabou por ser conhecido como o Momento MInsky.

As conclusões contrárias aos factos de Friedman obscureceram a lição que o mundo poderia ter aprendido do crash de 1929 e condenaram-no a enfrentar mais uma vez um outro desastre 80 anos depois.

No todo, quatro falsas conclusões contrárias aos factos sobre o crash de 1929, mas aceites como verdades económicas, deram desde então origem a uma teoria económica da instabilidade.

Falso: Medidas agressivas de facilidade monetária podem salvar a economia das recessões dos ciclos de negócio. Esta conclusão levou o monetarismo da banca central a financiar bolhas de dívida insustentáveis. "Só se o Fed interviesse mais cedo e mais firmemente em 1929 é que ele podia ter impedido a depressão" (Friedman). Bernanke em 2007 está a descobrir que isto não é verdade.

Falso: O comércio mundial deve ser mantido a fim de manter a depressão afastada.

Facto: Sob as condições predatórias do comércio global baseado na hegemonia da divisa, alimentado por arbitragem regulatória e salarial, o comércio mundial é a causa do desequilíbrio global. O livre comércio global tem sido a causa primária do desemprego interno. Quando o livre comércio global cresceu dramaticamente, o desemprego e o subemprego elevaram-se tanto na economia estado-unidense como na chinesa.

Solução: Novas condições de comércio devem ser introduzidas a fim de reverter o impacto adverso do comércio internacional sobre o emprego, salários e desenvolvimento interno. Restaurar o comércio internacional a fim de aumentar ao invés de tolher o desenvolvimento interno.

Falso: Só o capital pode criar emprego.

Facto: Sob condições de super-capacidade, só o pleno emprego com altos salários pode criar poupanças/capital. A lei de Say (a oferta cria a sua própria procura) mantém-se só com pleno emprego. Sem pleno emprego global, a vantagem comparativa no livre comércio é meramente a lei de Say internacionalizada.

Falso: A vantagem comparativa no livre comércio é uma fórmula sempre vencedora (win-win) para ambos os parceiros comerciais.

Facto: A vantagem comparativa tem um custo fatal para o parceiro que abre mão do desenvolvimento tecnológico em favor da eficiência económica no comércio. Ricardo, ao analisar o comércio entre a Grã-Bretanha e Portugal, deixou de destacar que ao concentrar-se na produção de tecidos, os quais exigiam mecanização, a Grã-Bretanha ganhou uma economia mecanizada que lhe deu uma marinha moderna para assumir o comando do império português. Porque Portugal preferiu produzir vinho em troca do tecido britânico, ele permaneceu uma economia agrícola tecnologicamente subdesenvolvida e ao seu tempo deixou de ser uma grande potência.

Solução: Numa ordem mundial de estados soberanos, economias nacionais fracas devem procurar reerguer-se através do nacionalismo económico.

28/Outubro/2009

Artigos de Henry C. K. Liu em resistir.info:
  • O mito da produtividade americana — e a verdade acerca dos salários reais , 15/Agosto/09
  • O futuro do dólar nas mãos dos EUA , 02/Julho/09
  • A liquidez anula o significado de "inflação" , 04/Junho/09
  • Carta aberta aos líderes mundiais que comparecerão à cimeira de 15 de Novembro na Casa Branca acerca dos mercados financeiros e a economia mundial , 14/Novembro/08
  • A auto destruição do capitalismo da dívida (II) , 25/Julho/08
  • A auto destruição do capitalismo da dívida (I) , 24/Julho/08
  • A ascensão dos preços do petróleo e a queda do dólar , 17/Julho/08
  • A charada das taxas de juros reais: A teoria económica da contradição , 24/Julho/07
  • Super-capitalismo, super-imperialismo e imperialismo monetário , 05/Novembro/07
  • A bolha por toda a parte , 09/Julho/03

    O original encontra-se em Asia Times e em http://www.henryckliu.com/page202.html

    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

  • O PAPEL DO OURO NO SISTEMA INTERNACIONAL

    O papel do ouro no sistema monetário internacional

    O que fazem a Índia e a China que a Malásia não faz?

    por Matthias Chang

    .Em 27 de Agosto de 2009 escrevi o artigo "Apelo ao primeiro-ministro e ministro das Finanças da Malásia – Reexaminem a estratégia do país quanto a reservas externas", urgindo o nosso primeiro-ministro a examinar a necessidade crítica de diversificar as nossas reservas estrangeiras, especificamente para aumentar os nossos haveres em ouro.

    O meu apelo não foi ouvido.

    Chamo a atenção do nosso primeiro-ministro para o Central Banks Gold Agreement (CBGA) de 14 de Agosto de 2009, especificamente para este trecho:

    "O ouro permanecerá um elemento importante das reservas monetárias globais".

    - As vendas de ouro já decididas e a serem decididas pelas instituições signatárias serão efectuadas através de um programa concertado de vendas ao longo de um período de cinco anos, começando em 27 de Setembro de 2009, imediatamente após o fim do acordo anterior. As vendas anuais não excederão 400 toneladas e as vendas totais ao longo deste período não excederão 2000 toneladas.
    - Os signatários reconhecem a intenção do FMI de vender 403 toneladas de ouro e observam que tais vendas podem ser acomodadas dentro dos tectos acima.
    - Este acordo será revisto após cinco anos.

    "É significativo notar que o FMI pretende vender 403 toneladas de ouro e é óbvio arriscar uma suposição sobre quem será o comprador principal. A China está desesperada para descarregar o seu papel higiénico estado-unidense em troca de ouro e isto tem de ser feito cuidadosamente, pois tais vendas 'serão acomodadas dentro dos tectos acima'."

    Também chamei a atenção do primeiro-ministro para os seguintes dados:

    "A situação actual das reservas ouro dos principais bancos centrais europeus em percentagem das suas reservas totais são como se segue:
    França: 73%
    Alemanha: 69,5%
    Itália: 66,1%
    Holanda: 61,4%
    Suíça: 37,1%

    Em contraste, as proporções de reservas dos principais bancos centrais asiáticos e da Rússia são como se segue:
    Rússia: 4%
    Índia: 4%
    Formosa: 3.8%
    Japão: 2.1%
    China: 1.8%

    Considerando este estado de coisas, quaisquer vendas de bancos centrais europeus sob o 3º CBGA não deprimirão os preços do ouro, pois será inevitável que os bancos centrais asiáticos, com pouco peso de ouro nos seus haveres, colectem-no para reforçar as suas minúsculas reservas do metal. Para mais dados, ver a referência do World Gold Council.

    A China tem dado atenção à necessidade de reforçar as suas reservas estratégicas de ouro. Ela de facto convidou os seus cidadãos a acumularem ouro!

    Ontem, a Bloomberg informou que "O ouro saltou para um recorde depois de o banco central da Índia ter comprado 200 toneladas do metal vendido pelo Fundo Monetário Internacional, elevando a especulação acerca de mais compras oficiais... A venda de US$6,7 mil milhões ao Reserve Bank of India é "a maior compra única por parte de um banco central que conhecemos durante pelo menos 30 anos num período tão curto", afirmou Timothy Green, autor de "The Ages of Gold". E acrescentou: "O único evento comparável foram as compras firmes dos EUA nas décadas de 1930 e 1940".

    O que é significativo é que a Índia capturou 50% das 403 toneladas distribuídas pelos FMI.

    A Índia percebeu por fim a necessidade de diversificar as suas reservas estrangeiras. Acredito que nos próximos meses outros países asiáticos seguirão este rumo. Espero que a Malásia não permaneça num estado de recusa.

    E mais uma vez mostrei estar à frente da curva. No primeiro trimestre de 2010 testemunharemos a 2ª onda do tsunami financeiro global. A acumulação de cash pelos grandes bancos globais não será suficiente para deter a maré.

    O 2º tsunami global será maior e mais devastador do que o primeiro. Fiquem prevenidos.

    O recente orçamento da Malásia não trata das questões fundamentais

    04/Novembro/2009
    O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=15922

    Enquanto isso em Portugal

    O Banco de Portugal, governado por Vitor Constâncio, esteve a vender as suas reservas ouro precisamente no momento em que as cotações do ouro estavam baixas. Entre 2002 e 2005 o Banco de Portugal efectuou vendas de ouro num total de 190 toneladas (15 t em 2002; 30+45 t em 2003; 35+20 t em 2004 e 35+10 t em 2005).

    Ver a propósito o Projecto de Resolução nº 541/X sobre as reservas de ouro do Banco de Portugal, apresentado pelo PCP na Assembleia da Republica em 16/Julho/2009:
    http://www.pcp.pt/index.php?option=com_content&task=view&id=34372&Itemid=195



    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .